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Oração à Santa Sara

Santa Sara, pelas forças das águas Santa Sara, com seus mistérios, possa estar sempre ao meu lado, pela força da natureza. Nós, filhos dos ventos, das estrelas e da lua cheia, pedimos à Senhora que esteja sempre ao nosso lado; pela figa, pela estrela de cinco pontas; pelos cristais que hão de brilhar sempre em nossas vidas. E que os inimigos nunca nos enxerguem, como a noite escura, sem estrelas e sem luar. A Tsara é o descanso do dia a dia, A Tsara é a nossa tenda. Santa Sara, me abençoe; Santa Sara, me acompanhe. Santa Sara, ilumine minha Tsara, para que todos que batam à minha porta eu tenha sempre uma palavra de amor e de caminho. Santa Sara, que eu nunca seja uma pessoa orgulhosa, que eu seja sempre o(a) mesmo(a)... PESSOA HUMILDE!"

domingo, 18 de abril de 2010

O SÉCULO XV, APRIMEIRA GRANDE DIÁSPORA


O século XV, a primeira grande diáspora

Por causa das incessantes guerras entre bizantinos, tártaros e turcos, os ciganos iniciaram uma nova migração, a primeira que está documentada. As evidências lingüísticas permitem a reconstrução desta nova peregrinação. Partindo de que os ciganos haviam abandonado a Índia, e dali passado para o Irã e para o norte do Mar Cáspio, se supõe que mais tarde haviam tomado duas rotas. A primeira, desde a Armênia até Bizâncio (o que explicaria a presença de vocabulário grecobizantino na língua dos ciganos), a outra, através da Síria e Oriente Médio e o Mediterrâneo (da qual haveria vestígios de vocabulário árabe). Durante sua estada nos Bálcãs a língua cigana absorveu vocabulário germânico, mas a ausência deste resto lingüístico nos ciganos espanhóis faz pensar que a migração se dividiu em dois antes desse assentamento centro europeu. Uma se havia dirigido para o oeste, ao interior da Europa, e outra para o sul, até a Síria. O primeiro grupo se havia estendido por todo o continente europeu, enquanto que a segunda havia cruzado a África do Norte para reaparecer na Europa após cruzar o estreito de Gibraltar no século XV, reencontrando-se ambas as correntes migratórias em algum ponto do sul da Europa. Deste modo, a chegada dos ciganos na Península Ibérica é também um assunto controvertido que analisaremos mais adiante.

O certo é que a migração foi massiva e extraordinariamente rápida, e foi objeto de uma acolhida desigual. No século XV começa a encontrarse-lhes por toda parte e os documentos multiplicam os testemunhos de sua presença por toda Europa, que tem sido estudada minuciosamente. Em 1416 se informa da presença de ciganos na Romênia, na Boêmia (República Tcheca) e em Lindau (Alemanha). Em 1417 o rei da Boêmia, Segismundo II lhes concedeu um salvo-conduto, e entre 1418 e 1419 os ciganos já circulavam pela atual Confederação Helvética. Entraram na França em 1419, e em 12 de agosto um grupo chegou as portas de Sisteron e logo circulou pela Provença. Em janeiro de 1420 estavam em Bruxelas, e em outubro em Flandres e no norte da França. Em 1421 chegaram a Brugeois e depois desceram a Arras. Em 18 de julho desse mesmo ano un grupo chegou a Bolonha para solicitar ao Papa um salvo-conduto como peregrinos cristãos. Na Espanha se informa de sua presença pela primeira vez em 1415, e em 8 de maio de 1425 são localizados em Zaragoza. Em 1427 já se encontravam em Roma.

Também em 1427 produziu-se uma das entradas de ciganos melhor documentadas, conservada na obra “Temoignage d'un bourgeois de Paris”. Em 12 de agosto desse ano chegaram a Paris, onde causaram grande admiração pelo seu aspecto displicente e estranho, e o povo acudiu em massa para vê-los adivinhar o futuro. Viviam da magia e dos pequenos roubos, até que o bispo os expulsou em setembro desse mesmo ano e partiram em direção a Pontoise. Segundo Helena Sánchez Ortega esta crônica resume o quadro de tipificação negativa dos ciganos que se manteve até hoje.

Ciganos fora da cidade de Berna, se os mostra com trajes e armas sarracenos. Gravado do século XV. Seu périplo europeu não se deteve, e em 1430 circulavam por toda a França sob uma acolhida desigual: Arles, Brignoles, Metz, Troyes, Grenoble, Nevers, Romans, Colmar, Orleans e Le Luc. Em 1435 foram vistos em Santiago de Compostela, e em 1462 foram recebidos com honras em Jaen. A Suíça os expulsou em 1471. Em 1493 estavam em Madrid.

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