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Oração à Santa Sara

Santa Sara, pelas forças das águas Santa Sara, com seus mistérios, possa estar sempre ao meu lado, pela força da natureza. Nós, filhos dos ventos, das estrelas e da lua cheia, pedimos à Senhora que esteja sempre ao nosso lado; pela figa, pela estrela de cinco pontas; pelos cristais que hão de brilhar sempre em nossas vidas. E que os inimigos nunca nos enxerguem, como a noite escura, sem estrelas e sem luar. A Tsara é o descanso do dia a dia, A Tsara é a nossa tenda. Santa Sara, me abençoe; Santa Sara, me acompanhe. Santa Sara, ilumine minha Tsara, para que todos que batam à minha porta eu tenha sempre uma palavra de amor e de caminho. Santa Sara, que eu nunca seja uma pessoa orgulhosa, que eu seja sempre o(a) mesmo(a)... PESSOA HUMILDE!"

domingo, 18 de abril de 2010

O TERMO CIGANO E A QUESTÃO DE SUA ORIGEM GEOGRÁFICA


O termo cigano e a questão de sua origem geográfica

O termo em espanhol "gitano" é uma adaptação de egiptano, aplicado a este povo pela crença errônea de que procedia do Egito. No século XVIII, o estudo da língua Romani, própria dos ciganos, confirmou que se tratava de una língua índica, muito parecida com o panyabi ou com o hindi ocidental. Isto demonstrou que a origem do povo cigano se situa no noroeste do Subcontinente Índico, na região em que atualmente se encontra a fronteira entre os estados modernos da Índia e Paquistão. Este descobrimento lingüístico já foi confirmado por estudos genéticos.

– Origens lendárias

A procedência dos ciganos tem sido objeto de todo tipo de fantasias. Já foram considerados descendentes de Caim, ou relacionados com a estirpe de Cam. Algumas tradições os têm identificado com magos caldeus da Síria, ou com uma tribo de Israel que se perdeu no Egito faraônico. Uma antiga lenda balcânica diz que eles foram os forjadores (ou ladrões dos cravos de Cristo), motivo pelo qual haviam sido condenados a vagar pelo mundo, se bem que não há nenhuma prova que situe os ciganos no Oriente Médio nessa época.

– Tradições ciganas

Os ciganos não representam, como já vimos, um povo compacto e homogêneo; mesmo pertencendo a uma única etnia, existe a hipótese de que a migração desde a Índia tenha sido fracionada no tempo e que desde a origem fossem divididos em grupos e subgrupos, falando dialetos diferentes, ainda que afins entre si. O acréscimo de componentes léxicos e sintáticos das línguas faladas nos países atravessados no decorrer dos séculos acentuou fortemente tais diversificações, a tal ponto que podem ser tranqüilamente definidos como dois grupos separados, que reúnem subgrupos muitas vezes em evidente contraste social entre si.

As diferenças de vida, a forte vocação ao nomadismo de alguns, contra a tendência à sedentarização de outros pode gerar uma série de contrastes que não se limitam a uma simples incapacidade de conviver pacificamente.

Em linhas gerais se poderia afirmar que os sintis são menos conservadores e tendem a esquecer com maior rapidez a cultura dos pais. Talvez este fato não seja recente, mas de qualquer modo é atribuído às condições socioculturais nas quais por longo tempo viveram.

Quanto aos ciganos de imigração mais recente, se nota ao invés uma maior tendência à conservação das tradições, da língua e dos costumes próprios dos diversos subgrupos. Sua origem desde países essencialmente agrícolas e ainda industrialmente atrasados (leste europeu) favoreceu certamente a conservação de modos de vida mais consoantes à sua origem. Antigamente era muito respeitado o período da gravidez e o tempo sucessivo ao nascimento do herdeiro; havia o conceito da impureza coligada ao nascimento, com várias proibições para a parturiente. Hoje a situação não é mais tão rígida; o aleitamento dura muito tempo, às vezes se prolongando por alguns anos.

No casamento, tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. É possível a um cigano casar-se com uma gadje, isto é, uma mulher não-cigana, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas. Visando naturalmente o dote, especialmente para os ciganos; no grupo dos sintis, tende-se a realizar o casamento através da fuga e conseqüente regularização. Aos filhos é dada uma grande liberdade, mesmo porque logo deverão contribuir com o sustento da família e com o cuidado dos menores. No que se refere à morte e aos ritos a ela conexos, o luto pelo desaparecimento de um companheiro dura em geral muito tempo. Junto aos sintis parece prevalecer o costume de se queimar a kampína (o trailer) e os objetos pertencentes ao defunto. Entre os ritos fúnebres praticados pelos ciganos está a pomána, banquete fúnebre no qual se celebra o aniversário da morte de uma pessoa. A abundância do alimento e das bebidas exprimem o desejo de paz e felicidade para o defunto.

Além da família extensa, entre os ciganos encontramos a kumpánia, ou seja, o conjunto de várias famílias (não necessariamente unidas entre si por laços de parentesco) mas todas pertencentes ao mesmo grupo e ao mesmo subgrupo ou a subgrupos afins.

O nômade é por sua própria natureza individualista e mal suporta a presença de um chefe: se tal figura não existe entre os ciganos, deve-se reconhecer o respeito existente com os mais velhos, aos quais sempre recorrem para dirimir eventuais controvérsias.

Entre os ciganos, a máxima autoridade judiciária é constituída pelo krisnitóri, isto é, por aquele que preside a kris. A kris é um verdadeiro tribunal cigano, constituído pelos membros mais velhos do grupo e se reúne em casos especiais, quando se deve resolver problemas delicados inerentes a controvérsias matrimoniais ou ações cometidas com danos para membros do mesmo grupo. Na kris podem participar também as mulheres, que são admitidas para falar, e a decisão unilateral cabe aos membros anciãos designados, presididos pelo krisnitóri, que após haver escutado as partes litigantes, decidem, depois de uma consulta, a punição que o que estiver errado deverá sofrer.

Em tempos recentes a controvérsia se resolve, em geral, com o pagamento de uma soma proporcional ao tamanho da culpa, no passado, se a culpa era particularmente grave, a punição podia consistir no afastamento do grupo ou, às vezes, em penas corporais.

– Primeiro movimento migratório do século X

Os estudos genéticos e lingüísticos parecem confirmar que os Rom (ciganos) são originários do Subcontinente Índico, possivelmente da região do Punjab. A causa de sua diáspora continua sendo um mistério. Algumas teorias sugerem que foram originariamente indivíduos pertencentes a uma casta inferior recrutados e enviados a lutar no oeste contra a invasão muçulmana. Ou talvez os próprios muçulmanos conquistaram os Rom, os escravizaram e os trouxeram para o oeste, onde formaram uma comunidade separada. Esta última hipótese se baseia em um relato de Mahmud de Ghazni, que fala sobre 50.000 prisioneiros durante uma invasão turco-persa do Sindh e do Punjab. Por que os ciganos preferiram viajar para o oeste em lugar de voltar a sua terra constitui outro enigma, já que a explicação pode ter sido o serviço militar sob domínio muçulmano.

O que é aceito pela maioria dos estudiosos é que os ciganos podiam ter abandonado a Índia por volta do ano 1000, e terem atravessado o que agora é o Afeganistão, Irã, Armênia e Turquia. Vários povos parecidos com os ciganos vivem hoje em dia na Índia, aparentemente originários do estado desértico de Rajastam, e por sua vez, populações ciganas reconhecidas como tais pelos próprios ciganos vivem no Irã com o nome de lúrios.

Se bem que as provas documentais começaram a ser confiáveis só a partir do século XIV. Alguns autores contemporâneos confirmam a data do ano 1000 ou inclusive antes. Certas referencias sugerem que as primeiras anotações da existência do povo Rom são anteriores: um texto que relata como Santo Atanásio de Egina repartiu comida na Trácia com uns "estrangeiros chamados atsigani" (do grego Ατσίνγ ;ανος') durante a fome do século IX, em plena época bizantina. Inclusive antes, em princípios do mesmo século, no ano 803, Teófanes o Confessor escreve que o imperador Nicéforo I lançou mão da ajuda de alguns “atsigani”, que com sua magia o haviam ajudado a conter uma revolta popular.

"Atsinganoi" termo usado também para referir-se a adivinhadores ambulantes e ventríloquos e feiticeiros que visitaram o imperador Constantino em 1054. Um texto hagiográfico (Vida de São Jorge anacoreta) relata como os “atsigani” foram chamados por Constantino para ajudá-lo a limpar os bosques de feras. Mais tarde seriam descritos como feiticeiros e malfeitores e acusados de tentar envenenar o cão galgo favorito do imperador. A extensão desse termo geraria os modernos substantivos “tzigane”, “Zigeuner”, “zingari” e “zíngaros”.

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