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Oração à Santa Sara

Santa Sara, pelas forças das águas Santa Sara, com seus mistérios, possa estar sempre ao meu lado, pela força da natureza. Nós, filhos dos ventos, das estrelas e da lua cheia, pedimos à Senhora que esteja sempre ao nosso lado; pela figa, pela estrela de cinco pontas; pelos cristais que hão de brilhar sempre em nossas vidas. E que os inimigos nunca nos enxerguem, como a noite escura, sem estrelas e sem luar. A Tsara é o descanso do dia a dia, A Tsara é a nossa tenda. Santa Sara, me abençoe; Santa Sara, me acompanhe. Santa Sara, ilumine minha Tsara, para que todos que batam à minha porta eu tenha sempre uma palavra de amor e de caminho. Santa Sara, que eu nunca seja uma pessoa orgulhosa, que eu seja sempre o(a) mesmo(a)... PESSOA HUMILDE!"

domingo, 18 de abril de 2010

O SÉCULO XVI E O COMEÇO DA PERSEGUIÇÃO


O século XVI e o começo da perseguição

O século XV pode ser considerado como a idade de ouro dos ciganos na Europa. Vagavam de cidade em cidade, já que é certo que foram expulsos com freqüência haveria que esperar o século XVI para que se desatasse uma onda de perseguição só comparável ao antijudaísmo secular dos europeus. No século XV os estereótipos negativos ainda não estavam enraizados, e entre a hostilidade e a fascinação a cultura cigana se dispersou pelo continente, mesclando-se com as culturas e os idiomas locais. Lentamente se foi convertendo em um desafio para os poderes estabelecidos, para a população sedentária e para a religião dominante.

Quando teve lugar o descobrimento da América, em 1492, os ciganos já estavam espalhados por toda Europa, onde apesar de uma boa acolhida inicial começaram a ser perseguidos, marginalizados, expulsos, severamente castigados, escravizados (como na Romênia, onde a escravidão cigana não foi abolida até 1864) ou simplesmente exterminados. O desencontro entre os não ciganos e os ciganos perduraria desde o século XVI até a atualidade. Assim, na Espanha, a pragmática de Medina do Campo do ano de 1499 os obrigou a abandonar a vida nômade. Em 1500, o mesmo ano em que entraram na Polônia e Rússia, a Dieta de Augsburgo os expulsou da Alemanha. Em 1505 Jacobo IV da Escócia lhes concedeu salvo-conduto e foram para a Dinamarca. Chegaram a Suécia em 1512, e em 1514 a Inglaterra, de onde se os expulsaria, sob pena de morte, em 1563. Antes disso, na Espanha se lhes deu a "escolher" em 1539 entre a sedentarização ou seis anos de galés, e em 1540 os bispos da Bélgica ordenaram sua expulsão sob pena de morte.

A partir de fins do século XVI se sucederam em toda a Europa, pragmáticas, leis e decretos contra o modo de vida dos ciganos. A dinâmica destas disposições será contraditória (se lhes obriga a sedentarizar-se ao mesmo tempo em que se lhes impede a entrada em muitas cidades, se lhes obriga a reduzir o tempo que se lhes acomoda em determinados bairros, se lhes obriga a trabalhar em profissões reconhecidas ao mesmo tempo que se lhes impede a entrada em associações…). A tenacidade dos ciganos, suas estratégias de ocultamento, de multiocupações (como a chama Teresa San Román), de seminomadismo ou itinerância circunscrita, de adaptação às circunstâncias cambiantes da legislação, a capacidade para cruzar fronteiras ou para aliar-se em certas ocasiões com a população autóctone realizando trabalhos imprescindíveis, fazem que os ciganos de toda Europa resistam à assimilação e conservem suas próprias características culturais mais ou menos intactas até a atualidade.

Diante da ausência de testemunhos escritos próprios, resultam valiosas as referências de um personagem peculiar que se aproximou do mundo cigano com interesse e curiosidade romântica na primeira metade do século XIX: George Borrow. Em viagens por boa parte da Europa como pastor protestante teve oportunidade de entrar em contato com grupos ciganos cuja língua aprendeu, traduzindo e inclusive publicando o Evangelho em calon (entre sua produção literária se encontra “A Bíblia na Espanha”, livro de viagens estudado por Manuel Azaña).

– A vinda para a América, o século XIX e a segunda grande diáspora

A vinda dos ciganos para a América ocorreu paralelamente com a própria diáspora dos europeus. O incansável povo cigano empreendeu então uma nova migração. Está plenamente confirmado que em 1498, Cristóvão Colombo, em sua terceira viagem, embarcou quatro ciganos que, pela primeira vez, pizaram o novo mundo. Sabe-se também que a Inglaterra e Escócia enviaram grupos de ciganos a suas colônias americanas da Virginia, no século XVII e Luisiana. A prática da deportação para a América foi seguida nesse mesmo século por Portugal. Segundo este autor, os ciganos espanhóis somente podiam viajar para a América com permissão expressa do rei. Felipe II decretou em 1570 uma proibição de entrada aos ciganos na América, e ordenou o regresso dos já enviados. É conhecido o caso de um ferreiro cigano (Jorge Leal) que conseguiu autorização para viajar a Cuba em 1602. Ou então esperar o conjunto de leis de 1783 para que os ciganos tivessem permissão de residência em qualquer parte do reino.

Entre finais do século XVII e meados do século XIX houve uma grande movimentação no oeste de uma numerosa população cigana, que fugiam da escravidão ou que aproveitavam sua abolição na Moldávia e Valáquia em 1860 ou como conseqüência do recrudescimento da perseguição na Europa ocidental (especialmente na França e Alemanha). Os ciganos emigraram para a América Latina em número que, como sempre, continua sendo um mistério. Segundo Koen Peeters a independência da Sérvia em1878 acelerou essa saída, e as causas que explicam o novo êxodo massivo podem ser várias: "Em primeiro lugar, a pressão de assimilação; em segundo lugar, as novas possibilidades em suas atividades de trabalho; e, em terceiro lugar, os vários motivos comuns a outros emigrantes da Sérvia, como podem ser, por um lado, a idéia de que no Novo Mundo teriam muitas possibilidades de conseguir grandes fortunas, as leis que favoreceram a imigração ou também a aparição de novas possibilidades no que respeita os meios de transporte". Também por volta de 1860 se registra a saída de ciganos britânicos (“romnichels”) e em princípios do século XX houve uma nova partida em massa de ciganos valacos.

A onda migratória se deteve com o começo da Primeira Guerra Mundial, e não teve continuidade até 1989, ano em que deu começo a terceira grande diáspora, todavia em curso.

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